Biodiversidade

Por abrigar uma grande variedade de espécies vegetais e animais, as florestas tropicais e subtropicais caracterizam-se como ambiente de alta diversidade biológica (biodiversidade), constituindo um precioso banco genético. Muitas dessas espécies são endêmicas, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro local.

As formações vegetais nativas são o habitat da fauna silvestre, que obtém nesses ambientes alimento e abrigo necessários à sua sobrevivência. Por esse motivo os desmatamentos indiscriminados constituem a principal causa da ameaça de sua extinção. Determinadas espécies só se alimentam de um tipo de planta. Se ela desaparecer, o animal poderá ser extinto.

Como contrapartida, a fauna é responsável pela manutenção das diferentes espécies vegetais nos ecossistemas, participando decisivamente nos processos de polinização e dispersão de sementes. A polinização é a transferência do pólen da flor de uma árvore para outra da mesma espécie. Insetos, pássaros e morcegos, ao se alimentarem e visitarem diversas flores, executam o processo de polinização. Na floresta tropical aproximadamente 95% das espécies arbóreas têm como polinizadores esses animais.

Já a dispersão é definida como o transporte e distribuição das sementes pela fauna e pelo vento. Em matas ciliares e em outras áreas de florestas do nosso Estado, observou-se que a dispersão por animais é de aproximadamente 95% e 75%, respectivamente.

Os animais têm também papel importante na quebra da dormência. Muitas sementes florestais não germinam se não forem submetidas a tratamentos de choque, tais como o ataque ácido provocado pelo sistema digestivo de alguns animais, quebra de tegumento (casca) ou ataque térmico.

Devido à complexidade das interações entre plantas e animais, qualquer interferência nesse ambiente requer o conhecimento prévio da sua dinâmica, sob pena de causar graves impactos e destruir o equilíbrio que demorou muito tempo para se estabelecer.

Conservação do solo e da água

Quando situada nas margens de cursos d’água, a mata (chamada, neste caso, ciliar) funciona como uma barreira que evita o carregamento de sedimentos para o sistema aquático. Outro benefício refere-se à interceptação e à absorção da luz, que contribuem para a estabilização térmica dos pequenos córregos.

Além disso, a floresta amortece o impacto das gotas de chuva, propiciando a infiltração mais lenta da água no solo. Isso reduz o escorrimento superficial e, conseqüentemente, diminui o processo erosivo e os riscos de deslizamentos de encostas, evitando os soterramentos que se repetem tragicamente em várias regiões do Brasil. Por outro lado, a infiltração da água no solo favorece a recarga do lençol subterrâneo que abastece as nascentes.

A água que deixa de infiltrar-se no solo desprotegido escorre pela superfície, arrasta terra, matéria orgânica e agroquímicos, que poluem a água, assoreiam rios e represas, comprometem os mananciais de abastecimento público e provocam enchentes. Outra possível conseqüência é a alteração das suas características físico-químicas, a exemplo do aumento da turbidez da água, o que pode afetar a ictiofauna (micro e macro fauna de corpos d’água).

Com os desmatamentos e a ocupação agropecuária, ocorre um aumento considerável de perda de solo agrícola pelo processo erosivo. A perda da camada fértil do solo encarece a produção ao exigir quantidades crescentes de agroquímicos, cujo excedente polui os corpos d’água.

Influência no clima

Outro fenômeno que poderá ser evitado com a ampliação das áreas florestadas é o aquecimento global causado pelo aumento da concentração atmosférica de gás carbônico (CO2), que é o mais importante gás causador do efeito estufa - do ponto de vista quantitativo. Para crescer, as árvores intensificam o processo de fotossíntese, retirando CO2 do ar e fixando o carbono na matéria orgânica (madeira, folhas e raízes). Dessa forma, o reflorestamento contribui para diminuir a concentração de gás carbônico na atmosfera.

Os desmatamentos e as queimadas agravam o problema e constituem um fator determinante para aumentar as concentrações de CO2 no ar. Estima-se que as emissões decorrentes da mudança do uso da terra com o corte das florestas correspondam a cerca de 1,7 bilhões de toneladas de carbono por ano.

Além de contribuir para evitar grandes alterações climáticas, as matas também interferem no microclima e no clima de uma região, dependendo de sua menor ou maior extensão, respectivamente. Funcionam como reguladoras climáticas, minimizando os extremos de temperaturas, ou seja, evitando a ocorrência tanto de temperaturas muito elevadas, quanto muito baixas. Contribuem também para a formação de nuvens, por meio da liberação de vapor d’água para a atmosfera, pela transpiração das folhas.

Função social

Destaca-se ainda o potencial das áreas florestais para o desenvolvimento de atividades educativas e recreativas em contato com a natureza, bem como para o turismo ecológico (ecoturismo). Há que se considerar neste ponto que os desmatamentos provocam a desfiguração da paisagem, depreciando a área em seu valor estético e comprometendo as qualidades cênicas do ambiente.

A destruição da vegetação nativa também tem levado ao desaparecimento de culturas locais, ou mesmo de comunidades que exerciam atividades ligadas à natureza. A integridade da mata é fundamental para assegurar a sobrevivência de populações tradicionais tais como indígenas, quilombolas (comunidades remanescentes dos quilombos) e caiçaras.

Com relação a este último grupo, tanto sua sobrevivência quanto a preservação da cultura caiçara dependem da integridade da vegetação de manguezal. Esse ecossistema, que faz parte do domínio da mata atlântica, cobre as margens de estuários e mares interiores, ocupando a faixa compreendida entre os limites mais baixo e mais alto das marés, onde a água doce dos rios mistura-se à água do mar.

As áreas de mangue funcionam como verdadeiros criadouros naturais, proporcionando alimento e abrigo para peixes, crustáceos e moluscos, que procuram refúgio nesse ambiente durante a fase de reprodução ou crescimento, retornando posteriormente ao mar. Dessa forma, os manguezais concorrem decisivamente para a sustentabilidade da pesca nas lagunas, nos estuários e também no oceano, assegurando o sustento das comunidades caiçaras que dependem da pesca para sua sobrevivência.

Quanto resta de vegetação natural em São Paulo

Dados do estudo denominado “Situação Atual dos Remanescentes da Cobertura Vegetal Natural do Estado de São Paulo”, concluído pelo Instituto Florestal em 2002, indicam que a área coberta por vegetação nativa no território paulista corresponde a 13,7% de sua superfície, sendo que as matas e capoeiras apresentaram os maiores percentuais, 6,11% e 5,43% respectivamente. Além dessas formações, ocorrem ainda: cerrado (0,54%); cerradão (0,28%); campo cerrado (0,004%); campo (0,008%); vegetação de várzea (0,61%); mangue (0,08%) e restinga (0,62% ). Em 0,03% a vegetação não foi classificada. Veja quadro detalhado a seguir.

Cobertura Vegetal Natural por Região Administrativa
do Estado de São Paulo (Área em Hectares)

TEXTO EXTRAÍDO DO SITE DO FUNDAÇÃO FLORESTAL DE SÃO PAULO