14 Fev
Os remanescentes de mata atlântica que abrigariam maior número de espécies diferentes coincidem com as regiões mais ameaçadas. É o que mostrou um artigo publicado hoje pela revista Science. No estudo, pesquisadores brasileiros e americanos apresentam um novo método para determinar quais áreas de um bioma devem receber atenção prioritária por abrigar maior biodiversidade. A mata atlântica foi escolhida como modelo para aplicar a técnica.
Confira imagens da mata atlântica e das espécies pesquisadas.
Os resultados apontam o corredor central do bioma, localizado na Bahia, como a região com maior potencial de biodiversidade. Mas apenas 8,15% dos 20 milhões de quilômetros quadrados originais da mata ainda estão de pé. O Estado de São Paulo, que possuía uma área semelhante do bioma, preservou 13,24% das suas florestas. Contudo, de acordo com o trabalho, não conta com a mesma biodiversidade.
MÉTODO
Em primeiro lugar, os pesquisadores escolheram espécies que ocorriam em quase todo bioma, do nordeste à região sul. “Optamos por três pererecas porque anfíbios são excelentes bioindicadores” , afirma a brasileira Ana Carolina Carnaval, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. “São altamente susceptíveis a mudanças ambientais.”
Com base em informações de espécimes de museus, os cientistas desenharam mapas que delimitavam os hábitats ideais para as três pererecas. Depois, com base em registros e simulações climáticas, verificaram o “grau de estabilidade” de cada um dos ambientes.
Surgiram indícios de que a atual mata atlântica do Sudeste é relativamente recente, pois sofreu um forte processo de glaciação há cerca de 21 mil anos. O corredor central baiano constituiu assim um refúgio durante o período gelado e, por isso, preservou uma maior variabilidade genética. Para comprovar a hipótese de uma colonização pelos animais mais antiga na Bahia, os cientistas analisaram o DNA mitocondrial das pererecas encontradas nos diversos Estados. Como esperado, havia menor variabilidade nos anfíbios do Sudeste.
O biólogo Miguel Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP), coautor do trabalho, sublinha que o método será útil também para outros biomas.
Science 6 February 2009:
Vol. 323. no. 5915, pp. 785 - 789
DOI: 10.1126/science. 1166955
Biodiversity hotspots, representing regions with high species endemism and conservation threat, have been mapped globally. Yet, biodiversity distribution data from within hotspots are too sparse for effective conservation in the face of rapid environmental change. Using frogs as indicators, ecological niche models under paleoclimates, and simultaneous Bayesian analyses of multispecies molecular data, we compare alternative hypotheses of assemblage-scale response to late Quaternary climate change. This reveals a hotspot within the Brazilian Atlantic forest hotspot. We show that the southern Atlantic forest was climatically unstable relative to the central region, which served as a large climatic refugium for neotropical species in the late Pleistocene. This sets new priorities for conservation in Brazil and establishes a validated approach to biodiversity prediction in other understudied, species-rich regions.
1 Museum of Vertebrate Zoology, University of California, Berkeley, CA 94720–3160, USA.
2 Biology Department, Queens College, City University of New York, Flushing, NY 11367, USA.
3 Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, UNESP, Rio Claro, SP 3526-4100, Brazil.
4 Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, SP